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Stari Most, Bósnia Herzegovina << Setembro, 2014>>

Decidi que o primeiro post do blog seria sobre um lugar mágico e exótico, daqueles que geram receios quando nos perguntam para onde vamos. Bósnia? hahaha… Simmm! Por que não? É compreensível a dúvida, já que num passado não muito distante (1992-1995) a Bósnia passava por uma guerra que esteve relacionada com a dissolução da Iugoslávia.

Quando desenhei o roteiro da Croácia, pensei em 2 opções extras: Montenegro ou Bósnia? Minha vontade logicamente era de visitar ambos, mas como o tempo era contado acabei optando por visitar esta última. A ideia foi fazer base em Dubrovnik, Croácia já que este seria o último ponto da viagem por lá e geograficamente ficaria mais próximo de Mostar, Bósnia.  Optei por fazer uma day trip com a Adriatic Explore. Marcamos um ponto próximo ao hotel e a van apareceu no horário combinado. A agência inclui o guia que vai explicando toda a história até chegarmos em Mostar e o guia local que vai fazer o city tour por lá. O tour custa em torno de EUR 43,00/pessoa.

O ideal é que você vá de tênis e roupas confortáveis pois se anda bastante! O trajeto de Dubrovnik, Croácia até Mostar na Bósnia dura em média de 3 a 4 horas. Dependendo do humor e do tempo dos policiais da fronteira, pode ser que peçam ou não para pararmos, por isso tenham sempre os passaportes em mãos. Paramos para conhecer a cidade de Počitelj às margens do rio Neretva (a 30km de Mostar). Essa cidadela é estratégica historicamente porque na época em que os turcos invadiam seus vizinhos (1465) por sugestão do rei croata-húngaro Matija Korvin,  foi erguida uma fortificação em volta da cidade, o que não adiantou muito pois os turcos conseguiram dominar anos mais tarde. Essa invasão explica a forte arquitetura otomana como a mesquita de HadžiAlija.

Depois dessa parada seguimos viagem e chegamos em Mostar, que inclusive é considerado patrimônio mundial da UNESCO. O ponto é famosíssimo pela Stari Most, Ponte Velha que pelos constantes alvos das guerras não é a original. Foi reconstruída em 2004 sendo devolvida ao povo como um símbolo de esperança e recomeço. Eu e minhas companheiras de viagem (fui com mais 3 amigas), tivemos a sorte de pegar um dia de sol maravilhoso, o que contribuiu muito para que pudéssemos tirar lindas fotos, essa a seguir é o ângulo mais conhecido e pitoresco da cidade. Quando vamos caminhando pela ponte vemos alguns nadadores que ficam chamando a atenção dos turistas e fazendo apostas para pularem ali de cima. Essa prática é bastante tradicional e acabou virando atração turística.

Conta o nosso guia local que quando Richard Gere filmou “A Caçada” ou “The Hunting Party” ficou no minarete da mesquita por horas e horas a fio, contemplando a linda paisagem e tiveram que tirá-lo à força pois precisavam fechar a mesquita.

Após percorrer todo o povoado a pé e conhecer a mesquita, o museu e as centenas de lojas paramos para um almoço típico da região. A foto que segue foi tirada em um dos inúmeros restaurantes familiares que encontramos pelas ruelas de Mostar. Tinha uma árvore enorme que fazia sombra e o ângulo sobre o qual a nossa mesa estava posicionada permitia uma apreciação divina do lugar. As lojas te remetem o tempo todo às cenas de guerra pois vendem quadros da época, uniformes usados pelos militares, armas, souvenir feitos de munições que restaram, entre outros. Os prédios que sobreviveram, nos dão uma noção do caos que foi viver esse conflito pois são quase todos marcados com muitos furos de balas.

A comida é espetacular, muito semelhante à cozinha árabe e super baratinha também! Aliás, como esses países são pouco explorados ainda, o turismo por lá é super low cost!

Outros pontos que merecem uma visita são:

  • a ponte Kriva cuprija, do século 16 (é fácil identificar ela pois é praticamente uma miniatura da ponte velha).
  • a torre Halebija que fica bem próxima à ponte velha – o térreo era usado como prisão e os andares de cima funcionavam como alojamento militar.
  • A torre Tara, à esquerda da ponte velha, que no passado serviu como arsenal.
  • E as várias mesquitas espalhadas. Procure calcular muito bem o seu tempo pois, as filas para subir ao minarete dependendo do dia chegam a ser enormes.

Como nossa van saía às 15h, após o almoço andamos mais um pouco até chegarmos na igreja católica e monastério franciscano, que também foi destruída durante a guerra mas reformulada no ano 2.000 – em seu interior existe a maior coleção de livros de toda a Herzegovina e inclusive obras de grandes mestres italianos dos séculos 16 e 17.

Por volta das 19h chegamos em Dubrovnik, Croácia encerrando nossa visita à inesquecível e inusitada Bósnia Herzegovina!

Gostaria de agradecer minhas 3 outras wanderlusters que tornaram a aventura para a Bósnia muito mais gostosa e divertida! Najoa, Marta e Roberta, vocês foram a cereja do bolo nessa trip! Obrigada girls! =)