Tem Tacacá na Tietê!

“Longe da floresta, num dos metros quadrados mais caros do mundo, casas italianas e francesas, restaurantes estribados com proposta e coisa e tal, estão ali compartilhando conosco as mesmas agruras, amargando os mesmos impostos, pagando serviços e mão de obra a preços de NY, importando o melhor trigo da Itália, como nós importamos o melhor dos tucupis. O pato não custa mais barato pro brasileiro da Tietê do que pro francês da esquina… magret e pato no tucupi se forem de qualidade custam o mesmo.” 

Este desabafo, da brilhante pesquisadora e Chef Mara Salles que está à frente do Restaurante Tordesilhas em SP, nos faz indagar porque ao contrário das culinárias italiana ou japonesa a comida regional brasileira ainda não foi devidamente valorizada e tampouco abunda nas esquinas.

A proposta dela respeita os ingredientes em cada prato (não poderia ser diferente depois dos 27 anos de estudos) e o preço para a qualidade oferecida é acessível! O local: um charme! – mas com toques fortemente regionais – o Brasil pulsa em cada canto da casa.

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A fachada convidativa e florida do Tordesilhas

Chegamos cedo pois sabíamos que a casa lotaria em pouco tempo, e tivemos a sorte de encontrar Mara em uma breve reunião com seus colaboradores, acertando os últimos preparativos para o dia. Sempre atenciosa e dedicada com seus clientes, oferecendo sugestões do que melhor pode combinar o paladar de cada um.

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com a Chef Mara Salles

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O menu é clean, bilíngue (português/inglês) e no final tem um mini dicionário explicando o que quer dizer cada ingrediente e de onde vem.

Para abrir o apetite, fomos brindados com queijo de coalho fresco (do Agreste – PE), banhado com mel de rapadura. Se estiverem em mais pessoas, sugiro fortemente o que ela chama de “Comissão de Frente”: vem pastel de camarão; marinada de abobrinha brasileira; queijo de coalho fresco com mel de rapadura; cubinhos de carne seca em manteiga de garrafa.

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Como entrada, não poderia deixar de experimentar o Tacacá, claro!

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Tacacá servido na cuia: caldo com tucupi, jambu, goma de tapioca e camarão seco.

O tucupi é um líquido extraído da mandioca brava e o jambu é uma erva que causa uma leve dormência na língua. É um prato bem exótico, mas muito saboroso!

A cada bimestre, a Chef monta uma barraca de Tacacá na Tietê (o restaurante fica na Alameda Tietê, por isso o nome) e como é feito em Belém de onde também é seu fornecedor, serve esse manjar em cuias no final da tarde como manda a tradição.

Para quem não quer se aventurar, pode ir de feijoada (servida aos sábados somente) ou provar o Menu-degustação da casa (ofertado de terça a sábado no jantar).

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O painel de pimentas em conserva do Zé Lima

Meu prato principal foi carne seca confitada na manteiga de garrafa, baião de dois, quibebe de jerimum e couve.

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O barreado e a moqueca capixaba (peixe e camarão) também são opções maravilhosas!

Para o grand finale, juro que foi uma das melhores sobremesas que já comi na minha vida! Cocada de tabuleiro com sorvete de tapioca e calda de tamarindo. Comeria 2 pratos desses muito fácil! O sorvete e a cocada são feitos na casa, então você consegue apreciar REALMENTE o gosto de cada ingrediente, sem conservantes, sem corantes, enfim, comida de verdade!!

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Depois desta experiência, o prêmio dado ao Tordesilhas pelo Bib Gourmand, Guia Michelin 2016-2017 é mais do que merecido.

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Aliás, prêmios não faltam! Ganhou por 9 vezes como melhor restaurante de cozinha brasileira da cidade, pela Veja SP, além de outros como Prazeres da Mesa, Gula, Trip Advisor, Época, etc.

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Restaurante Tordesilhas

Alameda Tietê 489 – Jardins – São Paulo

www.tordesilhas.com

A romântica lha de Burano

O nome Burano, advém de “porta boreana”, que quer dizer porta norte da cidade.

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A ilha é tipicamente habitada por pescadores e rendeiras. As diferentes cores das casas, característica pela qual a ilha é reconhecida, servia justamente para delimitar o imóvel e identificar a família à qual a moradia pertencia. Existe uma outra versão que explica que os pescadores usavam as cores na verdade para reconhecê-las de longe, já que após um longo período de pesca ao retornarem durante o inverno, Burano ficava envolta por uma pesada névoa.

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Estação de chegada e partida em Burano

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Os graciosos canais e embarcações dos pescadores

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A cidadezinha possui forte prática de artesanatos, máscaras venezianas e um deles muito especial – o trabalho com renda. Relatos indicam que o Rei Luís XV e o próprio Leonardo Da Vinci elogiavam muito essa arte minuciosa realizada desde o ano de 1.400 – embora a atividade tenha diminuído consideravelmente ao longo do tempo, ainda é possível encontrar nas ruas algumas rendeiras fazendo esse trabalho. Quando Da Vinci visitou a ilha comprou alguns panos que posteriormente usou no altar da Duomo di Milano.

Essa renda, foi durante um período a mais requisitada da Europa, e devido à delicadeza do formato ficou conhecida como “pontos no ar” (punto in aria).

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Renda de Burano

Hoje existe ainda uma escola que mantém essa tradição (Scuola dei Merletti di Burano). Se for de interesse e estiver com tempo, vale um pulinho no Museo del Merletto.

Uma loja muito tradicional que passa essa tradição por gerações é a Martina Vidal Venezia, fica na Via San Mauro 307 em Burano.

Para chegar à ilha, você encontra facilmente em Veneza vários tours por cerca de 20 Euros. Se optar por fazer o passeio por conta, como eu fiz, basta adquirir o passe do vaporetto (ônibus aquático) que custou em torno de 18 Euros. Eu não curto ficar presa a um grupo de pessoas e horários, então sempre que posso prefiro explorar com liberdade!

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Mapa do sistema de vaporetto em Veneza, incluindo Burano, Murano e Torcello.

Eu saí da estação de trem de Veneza (Venezia S.Lucia) próxima à Piazzale Roma. Logo que você sai da estação de trem, já encontra quiosques que vendem mapas e tickets do vaporetto. Existe uma saída a cada 10 minutos, porém preste muita atenção ao destino de cada embarcação pois nem todas levam à Burano.

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Chiesa di San Martino

O campanário inclinado da igreja lembra uma outra famosa obra italiana =)

Para quem curte uma boa gastronomia, a dica é experimentar algum prato local. Burano é famosa pelos peixes, o prato mais típico é conhecido como “risotto de gò” onde o caldo usado para fazer arroz é cremoso e extraído do gò, um peixe encontrado na lagoa de Veneza, em inglês conhecido como goby.

O RIVA ROSA Ristorante & Enoteca, localizado na Via San Mauro 296 foi indicado pelo Guia Michelin.

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Tradução livre: “O RIVA ROSA possui o centro encantador de Burano como cenário. Servem peixes e frutos do mar de forma elegante, sendo um ambiente perfeito para um almoço ou jantar romântico” – Os inspetores do Guia Michelin

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Fachada RIVA ROSA Ristorante & Enoteca

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RIVA ROSA Ristorante

RIVA ROSA

Em sua adega o restaurante possui mais de 400 rótulos de vinhos.

Mangia Bene & Vive Bene!