A romântica lha de Burano

O nome Burano, advém de “porta boreana”, que quer dizer porta norte da cidade.

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A ilha é tipicamente habitada por pescadores e rendeiras. As diferentes cores das casas, característica pela qual a ilha é reconhecida, servia justamente para delimitar o imóvel e identificar a família à qual a moradia pertencia. Existe uma outra versão que explica que os pescadores usavam as cores na verdade para reconhecê-las de longe, já que após um longo período de pesca ao retornarem durante o inverno, Burano ficava envolta por uma pesada névoa.

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Estação de chegada e partida em Burano

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Os graciosos canais e embarcações dos pescadores

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A cidadezinha possui forte prática de artesanatos, máscaras venezianas e um deles muito especial – o trabalho com renda. Relatos indicam que o Rei Luís XV e o próprio Leonardo Da Vinci elogiavam muito essa arte minuciosa realizada desde o ano de 1.400 – embora a atividade tenha diminuído consideravelmente ao longo do tempo, ainda é possível encontrar nas ruas algumas rendeiras fazendo esse trabalho. Quando Da Vinci visitou a ilha comprou alguns panos que posteriormente usou no altar da Duomo di Milano.

Essa renda, foi durante um período a mais requisitada da Europa, e devido à delicadeza do formato ficou conhecida como “pontos no ar” (punto in aria).

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Renda de Burano

Hoje existe ainda uma escola que mantém essa tradição (Scuola dei Merletti di Burano). Se for de interesse e estiver com tempo, vale um pulinho no Museo del Merletto.

Uma loja muito tradicional que passa essa tradição por gerações é a Martina Vidal Venezia, fica na Via San Mauro 307 em Burano.

Para chegar à ilha, você encontra facilmente em Veneza vários tours por cerca de 20 Euros. Se optar por fazer o passeio por conta, como eu fiz, basta adquirir o passe do vaporetto (ônibus aquático) que custou em torno de 18 Euros. Eu não curto ficar presa a um grupo de pessoas e horários, então sempre que posso prefiro explorar com liberdade!

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Mapa do sistema de vaporetto em Veneza, incluindo Burano, Murano e Torcello.

Eu saí da estação de trem de Veneza (Venezia S.Lucia) próxima à Piazzale Roma. Logo que você sai da estação de trem, já encontra quiosques que vendem mapas e tickets do vaporetto. Existe uma saída a cada 10 minutos, porém preste muita atenção ao destino de cada embarcação pois nem todas levam à Burano.

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Chiesa di San Martino

O campanário inclinado da igreja lembra uma outra famosa obra italiana =)

Para quem curte uma boa gastronomia, a dica é experimentar algum prato local. Burano é famosa pelos peixes, o prato mais típico é conhecido como “risotto de gò” onde o caldo usado para fazer arroz é cremoso e extraído do gò, um peixe encontrado na lagoa de Veneza, em inglês conhecido como goby.

O RIVA ROSA Ristorante & Enoteca, localizado na Via San Mauro 296 foi indicado pelo Guia Michelin.

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Tradução livre: “O RIVA ROSA possui o centro encantador de Burano como cenário. Servem peixes e frutos do mar de forma elegante, sendo um ambiente perfeito para um almoço ou jantar romântico” – Os inspetores do Guia Michelin

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Fachada RIVA ROSA Ristorante & Enoteca

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RIVA ROSA Ristorante

RIVA ROSA

Em sua adega o restaurante possui mais de 400 rótulos de vinhos.

Mangia Bene & Vive Bene!

As 5 Vilas da Riviera Ligure delle Cinque Terre

A viagem à Cinque Terre foi definitivamente uma jornada maravilhosa através de pequeninas vilas de pescadores, desbravando paisagens pitorescas recheadas de belezas naturais e certamente um dos lugares mais românticos do mundo para aproveitar com a pessoa amada!

As 5 vilas, juntamente com Portovenere e ilhas anexas são declaradas patrimônio da humanidade pela UNESCO.

Quando comecei a desenhar este roteiro, depois muita pesquisa, entendi que seria interessante fazer base numa cidade portuária vizinha situada ao sul das vilas, chamada La Spezia. Não é muito turística, porém me atendia muito bem na logística entre as vilas e como vinha de Roma, seria minha parada de trem (para quem optar pelo mesmo trajeto, o trem Roma – La Spezia dura em média 3h40min). Outro ponto bacana de La Spezia é que apesar de não ter toda a pompa das outras cidades italianas, achei bem organizada, mais econômica em termos de comida e hotelaria e com a vantagem de te levar às vilas de barco ou trem.

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Mapa mostrando La Spezia ao sul das 5 terres: Riomaggiore, Manarola, Corniglia, Vernazza e Monterosso Al Mare.

Como a praticidade me atrai, optei por me hospedar no Hotel Firenze e Continentale por um único motivo, a estação de trem fica na frente!

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Recepção Hotel Firenze e Continentale, La Spezia.

Hotel Firenze e Continentale

Hotel Firenze e Continentale

Acomodação, Hotel Firenze e Continentale, La Spezia.

Meu trem de Roma chegava à tarde, então minha programação seria aproveitar o restante desse dia para conhecer a última terre: Monterosso Al Mare, deixando os outros 2 dias para conhecer as demais vilas com calma, inclusive La Spezia.

Na estação de trem, adquiri o 5 Terre Card Train (EUR 10,00) que permite uso ilimitado dos trens, incluindo a cidade de Levanto. Junto com o cartão vem um mapa das vilas e se você pedir, eles fornecem uma tabela com todos os horários dos trens entre as terres. Isso para mim foi crucial para aproveitar muito bem meu tempo, já que percebi que poucos se atentavam a isso e ficavam um tempão esperando os trens na estação. É possível também consultar os horários no site da empresa Trenitalia.

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Não se esqueça de sempre validar o ticket nas maquininhas espalhadas pela estação. Num dos trens que eu estava, duas mulheres suecas foram multadas em mais de EUR 150,00 por não terem validado os tickets.

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Máquina que valida seus tickets de trem.

Outro ponto que gostaria de chamar atenção porque infelizmente presenciei isso nos 3 dias que fiquei aqui, foram os batedores de carteiras (muitas são mulheres). As estações e os trens ficam super lotados e isso dá espaço aos desavisados e distraídos. Nunca deixe seus pertences nem por um segundo sequer e não dê papo especialmente para duplas porque um te distrai e o outro faz o serviço.

Chegando no Parque Nacional de Cinque Terre, existe uma bilheteria onde você pode se informar bem sobre quais trechos estão liberados para trilha, inclusive a famosa Via dell’Amore e adquirir o cartão que dá acesso a isso tudo e ao ônibus interno do parque.

Eu fui em Setembro de 2014 e não pude conhecer a totalidade de algumas trilhas porque ocorreram alguns deslizamentos e estava fechado para reforma. Antes de ir, consulte o site do Parque Nacional pois eles tem por hábito comunicar quais trechos estão abertos ou não para visitação.

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Estação de trem Monterosso Al Mare.

Monterosso é conhecida pela sua praia de Fegina, onde no verão o colorido do guarda-sol encobre toda a faixa de areia. É também a mais distante e maior das 5 vilas.

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Monterosso Al Mare, Cinque Terre.

Além disso, encontramos aqui a igreja de St. John the Baptist, toda trabalhada no estilo Gótico-Ligúria-Pisa, datada do século 12.

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Monterosso Al Mare, Cinque Terre.

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Monterosso Al Mare, Cinque Terre.

Como estamos falando da região da Ligúria, de onde vem originalmente o molho pesto genovês, a pedida foi experimentar a pizza que leva esse condimento. Um verdadeiro espetáculo de sabores!!

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Pizza ao molho pesto.

No segundo dia, peguei o trem de La Spezia e parei em Riomaggiore, pois a idéia era depois atravessar a Via dell’Amore para chegar em Manarola.

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Reza a lenda que Riomaggiore foi fundada por gregos refugiados no século 7. Após ficar sob o domínio de diversos senhores feudais, no século 13, tornou-se parte da República de Gênova, assim como todas as outras vilas.

A beleza de Riomaggiore é ressaltada pelas casas de pescadores que ficam de frente ao mar e pela presença de Montenero, um santuário, uma igreja e um castelo muito antigos, do século 14.

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Riomaggiore, Cinque Terre.

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Riomaggiore, Cinque Terre.

Vista panorâmica de Riomaggiore, Cinque Terre.

Vista panorâmica de Riomaggiore, Cinque Terre.

Os inúmeros cadeados deixados pelos apaixonados na Via dell'Amore.

Os inúmeros cadeados deixados pelos apaixonados na Via dell’Amore.

Chegando em Manarola, a vista é de tirar o fôlego! Foi a terre que eu mais gostei.

Vista panorâmica de Manarola, Cinque Terre.

Vista panorâmica de Manarola, Cinque Terre.

Diversos artistas como Llewelyn Loyd e Antonio Discovolo, eternizaram em suas pinturas esse charme especial da vila.

Dizem que o nome Manarola, vem de Manium arula, que quer dizer “templo dedicado ao Manes, espírito dos mortos”.

Seguindo em frente, peguei o trem até a estação de Corniglia, onde planejei fazer a trilha de 1h30min para chegar a Vernazza.

Corniglia é a menor das 5 vilas e a menos visitada. O trem chega na estação e você tem 2 opções: subir de ônibus até o centro da vila, ou encarar os 365 degraus. Eu como sou guerreira, fui na escada mesmo! Cansa bastante, o negócio é ir subindo, respirando, admirando a vista, tudo com muita calma.

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Corniglia, Cinque Terre.

Esta vila é uma das mais ricas em história. Os romanos ocuparam esta região e após a vitória contra a Ligúria em 177 a.C. uma família de sobrenome Cornelia recebeu a terra que abrangia uma grande área de vinhedos.

Bocaccio (um grande poeta italiano) fez bastante menção à vila pela alta qualidade do vinho, conhecido como Vernaccia.

Vista da trilha entre Corniglia - Vernazza, Cinque Terre.

Vista da trilha entre Corniglia – Vernazza, Cinque Terre.

Vista da trilha entre Corniglia - Vernazza, Cinque Terre.

Vista da trilha entre Corniglia – Vernazza, Cinque Terre.

A trilha é super bem sinalizada e vai marcando os pontos de quem faz a trilha.

A trilha é super bem sinalizada e vai marcando os pontos de quem a percorre.

Minha vista chegando em Vernazza pela trilha.

Minha vista chegando em Vernazza pela trilha.

Praia escondida em Vernazza, Cinque Terre.

Vernazza, Cinque Terre.

Vernazza, Cinque Terre.

Finalizando em Vernazza, retornei à estação de trem de La Spezia e fiquei andando pelo centro e na beira mar.

La Spezia

La Spezia

La Spezia

La Spezia

La Spezia

La Spezia

Para quem tiver mais um dia no roteiro, vale a pena pegar um barco que sai de La Spezia e visitar Portovenere, considerada a sexta terre.