Cingapura

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Sempre lia muito a respeito de como Cingapura era um país evoluído, limpo, exigente no cumprimento das leis, moderno, dona de um dos portos mais movimentados do mundo; e acabei comprovando tudo isso e mais um pouco! Para outros países, parece muito difícil atingir alguns desses adjetivos mas não para o país que tem como símbolo o Merlion.

Como Cingapura fica na rota de vários destinos e muitas companhias aéreas usam o aeroporto como escala, resolvi aproveitar e fazer uma parada de 3 dias para conhecer a pequena ilha. Eu vinha de uma viagem de negócios de Xangai (China) e fiz o vôo com a Singapore Airlines no gigantesco A380 – foi uma jornada bem tranquila de 4 horinhas. Aqui antecipo uma dica valiosa, no canhoto de sua passagem aérea com a Singapore Airlines, observe o verso, pois ali constam sempre promoções e parcerias nas atrações turísticas apresentando este nas bilheterias.

Chegando no aeroporto de Changi, você pode pegar um táxi comum (que já é de alto padrão), um carro tipo limusine, o ônibus do aeroporto (shuttle bus) ou o metrô que lá é conhecido como MRT. Eu cheguei próximo à meia noite, horário em que as demais opções encerram o expediente, então só me restou pegar um táxi comum mesmo! Meu hotel ficava no centro, numa rua conhecida como Orchard Road, a meca das compras. Como gosto de ficar no coração da muvuca e fazer tudo a pé ou de metrô, optei por ficar os dois primeiros dias no Mandarin Orchard Singapore.

O clima é bastante úmido e quente o ano todo, então procure levar na sua mala roupas soltas e leves. A grande maioria das pessoas andava de chinelo mesmo (tanto locais como turistas), mas como é um país caro que possui bares e restaurantes finos o ideal é que você carregue um sapato junto. Uma coisa que me chamou bastante a atenção é como esse povo possui leis super estritas e são mega regrados. Na verdade os cartazes espalhados por toda a ilha não te deixam esquecer o que é proibido fazer. Mascar chiclete nem pensar, é multa! O governo teve sérios problemas para higienizar a cidade pois as pessoas grudavam o chiclete nas estações de metrô, nos carros, embaixo das cadeiras, enfim. Jogar qualquer tipo de lixo nas ruas nem pensar. Comer e beber dentro dos transportes públicos também não pode, multa de 500 dólares. Fumar também não, você vai ter um prejuízo de 1.000 dólares.

Para circular pela cidade optei por fazer a pé o que estivesse próximo e de metrô para os trechos mais longos. Nas estações de MRT encontrei um cartão chamado Singapore Tourist Pass. Você deixa um depósito caução de 10 dólares de Cingapura e escolhe colocar créditos para rodar sem limites por 1, 2 ou 3 dias. Quando não quiser usar mais, devolva em alguma das estações de metrô listadas para ter o seu dinheiro de volta! Não são todas as estações que podem fazer o reembolso então para não perder a viagem, consulte antes.

Dica importantíssima! Ao deixar o depósito caução, guarde muito bem o recibo pois nele consta a validade do seu cartão e sem esse recibo eles NÃO devolvem o seu dinheiro, e não tem chororô!!! rsrsrsrs… Quando você chega no guichê para pegar a caução de volta já tem um cartaz que enfatiza isso.

Achei super delicada a forma de despertar a generosidade nos metrôs. As poltronas para idosos, gestantes, pessoas com deficiência, ou pessoas com criança de colo são estampadas com vários dizeres como: seja doce, seja legal e ceda a poltrona.

Com relação à moeda, prepare o bolso… 1 dólar de Cingapura (SGD) está valendo algo em torno de R$ 2,50. Você encontra casas de câmbio nas próprias estações de metrô e shoppings. Sobre a língua, Cingapura possui pelo menos 4 oficiais: inglês, chinês, malaio e tâmil.

Uma das coisas que geralmente faço quando chego em qualquer cidade grande é ver se o serviço Hop-On/Hop-Off está disponível. Em Cingapura tinha de várias empresas, peguei um na Marina e fiz o trajeto completo. Existem bairros onde o metrô não chega ou fica longe para fazer a pé, então esse ônibus Hop-On/Hop-Off é uma boa saída para ter uma visão geral do lugar, para que você possa se situar melhor, mostrando os principais pontos e o bom é que possui praticamente o mesmo preço no mundo todo.

Cingapura é bastante cosmopolita e você encontra gente de todo o planeta, por isso as opções gastronômicas também são diversas. Tem Chinatown, Little India, o distrito colonial onde fica a Marina, Orchard Road (epicentro dos shoppings) e bastante influência inglesa nas construções.

De cara, me larguei a bater perna pela famosa Orchard Road. A maioria dos shoppings dão como cortesia de 30 minutos a 1 hora de free Wifi assim como algumas estações de metrô. Os shoppings são gigantescos, com design super moderno e cheio de grifes internacionais, claro! Os mais luxuosos são o ION Orchard, Shoppes at Marina Bay Sands (este faz parte do hotel que leva o mesmo nome), Paragon e o Hilton Shopping Gallery.

 

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Como eu queria otimizar o tempo e conhecer o máximo de coisas possível eu optei por fazer um brunch numa das várias unidades do The Coffee Bean & Tea Leaf que você encontra espalhadas pela cidade. Tem free Wifi também então aproveitei para olhar os mapas e rever a programação do dia.

Meu instinto asiático me levou para Chinatown. Não adianta, é igual no mundo todo hehehe, com a diferença de que em Cingapura a comunidade é muito mais limpa, organizada e bonita. Um complexo cheio de camelôs e lojinhas socadas de souvenirs/bugigangas e próximo dali uma praça de alimentação gigante meio que ao ar livre conhecida como Hong Lim Food Centre, ofertando uma grande variedade de pratos e temperos.

 

Eu optei por começar na estação Raffles Place MRT Station e finalizei o trajeto de quase 2 horas (caminhando) no People’s Park Plaza onde fica outro ponto de metrô, o de Chinatown. A zona de Raffles é bem central e cheia de arranha-céus, um centro financeiro, cheio de áreas comerciais, bancos e escritórios.

Peguei a Telok Ayer Street e visitei o templo taoísta Wak Hai Cheng Bio Temple ou Yueh Hai Cheng Temple – fundado em 1826 como forma de agradecimento aos Deuses, pelos imigrantes chineses que chegavam à salvo pelo mar.

Um pouco mais à frente, encontramos Nagore Durgha Shrine, uma mesquita erguida entre 1828 e 1830 pelos muçulmanos de Chulia do sul da Índia.


Os primeiros moradores dessa região foram pescadores da Malásia e quando Cingapura foi tomada pelos britânicos em 1819, este era o local onde os imigrantes chineses se alojavam também.

Janelas coloridas que embelezam o bairro encontradas ao longo da Telok Ayer Street

Entre 1839 e 1842 foi construído o mais antigo e um dos mais importantes templos de Cingapura, conhecido como Thian Hock Keng Temple (taoísta). Nas portas existem pinturas de tigres, leões e Deuses que fazem a guarda do templo. O telhado possui cerâmicas com desenhos de rosas, pavões e simbologias budistas que significam eternidade, sorte e longevidade.

Curiosamente no meio de Chinatown encontramos um templo hindu. O telhado é super trabalhado em detalhes e numa das laterais possui as vacas sagradas. Nos meses de outubro, o templo celebra o festival Thimithi, aquele ritual em que eles andam descalços sobre a brasa.

Saindo de Chinatown, resolvi ir para outro bairro, Little India. Ali fica uma rua famosa que colocou Cingapura no mapa entre as décadas de 50 e 80, a Bugis Street. Era conhecida pelas noites fervorosas e travestis. Hoje no entanto foi tomada por restaurantes, complexos de shoppings e inclusive um camelô que vende roupas, acessórios, alimentos, entre outros.

Escadas de emergência das casas em Bugis Street, pintadas uma de cada cor dão um charme no bairro.
Old Hill Street Police Station – Este prédio foi a primeira prisão de Cingapura mas hoje abriga o MICA (Ministério da Informação, Comunicação e Artes). Para chegar ali, use a estação de MRT Clarke Quay.

No segundo dia, optei por me concentrar na área da Marina, onde pude visitar a pista de F1, que inclusive pode ser vista da roda gigante – Singapore Flyer – a 165m de altura. Ela leva aproximadamente 30 minutos para fazer um giro completo. Você pode escolher se quer ir numa cabine normal ou se prefere uma cabine com champanhe (The Moët & Chandon Champagne Flight) toda decorada com glamour. Logicamente o preço dessas cabines mais luxuosas e com tratamentos diferenciados custam mais!

Este ano (2015), o GP de Cingapura será nos dias 18,19 e 20 de Setembro. Se você é fã desse esporte, aproveite para planejar uma viagem à Cingapura durante esse período! Mais informações você encontra no site oficial do evento | www.singaporegp.sg |

Pista da F1 vista da Singapore Flyer
Vista de Cingapura da Singapore Flyer
Vista de Cingapura da Singapore Flyer

Finalizado o passeio na roda gigante, optei por prestigiar uma exibição de Leonardo Da Vinci (intitulada Da Vinci: Shaping the Future) que estava sendo exposta pela primeira vez no sudeste asiático, no Museu de Arte e Ciência que fica dentro do complexo do hotel Marina Bay Sands. Eu já havia visitado essa exibição em Firenze, Itália mas a de CIngapura me surpreendeu pois estava muito mais completa e trazia materiais e documentos que eu não havia visto ainda.

Para quem ficar hospedado no hotel Marina Bay Sands, apresentando a chave do quarto é possível conseguir desconto na compra do bilhete. Adorei a exposição, no final dela, tem uma sala interativa onde você pode tentar montar algumas das obras de Da Vinci. Como me acho boa em manualidades, escolhi a ala do 3D, e montei a figura geométrica da foto acima.

Na minha última noite em Cingapura, resolvi me dar o luxo de ficar hospedada no incrível Marina Bay Sands, afinal esse hotel é praticamente uma atração turística. Pensava eu, que no hotel mais caro de Cingapura não iria encontrar tanta gente, mero engano! Nunca na minha vida vi uma fila no check-in tão gigante. Nem em Las Vegas onde os hotéis vivem lotados vi tamanha movimentação!  São mais de 8 recepcionistas atendendo e na fila existem monitores que ficam com um smartphone fazendo uma pré-confirmação da sua reserva para agilizar o atendimento. Quando você é atendido, você recebe uma garrafa de água de boas vindas com o garoto propaganda do hotel, ninguém menos que David Beckham e 2 chaves. Uma das chaves é a do seu quarto e a segunda chave te dá acesso à piscina com borda infinita que fica no 57o andar da Torre 2. A piscina funciona das 6 da manhã até as 11 da noite.

Vista do meu quarto – de frente para o Gardens by the Bay

O hotel possui 3 torres e no topo dele a piscina e um deck de observação 360. Esse complexo inclui ainda: bares, baladas, restaurantes, cassino, teatros que constantemente apresentam musicais famosos, shopping enorme, e para quem acompanha os programas de talentos, o hotel serve como palco do Asia’s Got Talent.

Marina Bay Sands Hotel
Panorâmica do Infinity Pool. Como o dia amanheceu nublado não pude fazer uma foto boa.
O Porto de Cingapura pode ser visto da piscina com borda infinita. Tive que dar risada quando percebi isso porque quem trabalha na área de Comércio Exterior, quando viaja tem sempre um porto, um navio ou um container relembrando as nossas atividades. Se bem que eu não iria achar nada ruim fazer home office nessa piscina, poderia monitorar os navios numa boa hehehe…
Gardens by the Bay visto do deck de observação do Marina Bay Sands Hotel.
The Shoppes at Marina Bay Sands
Interior do shopping
Interior do shopping

Cingapura possui como disse no início deste post um ícone nacional, o Merlion, que é metade leão (cabeça) e metade peixe (corpo). O corpo representa o início histórico humilde de Cingapura, que foi povoada por pescadores e a cabeça de leão é a tradução do nome CIngapura no idioma malaio. Para visualizar esse mito, visite o Merlion Park. Lá você verá a estátua que jorra água pela boca, possui quase 9 metros de altura e pesa em torno de 70 toneladas.

Curiosidade: Ao visitar o Merlion, observe que ele mira estrategicamente a direção leste, que segundo as crenças é a direção que traz prosperidade!

À noite, quando o tempo permite, por volta das 20h a cidade se ilumina toda para um show de luzes que dura aproximadamente 15 minutos.

Merlion Park

Uma das coisas que adoro fazer quando visito outros países é passear no supermercado. Ali você acaba tendo um resumo do gosto e da cultura local. Fiz umas comprinhas de guloseimas diferentes como: batata Pringles de Temaki, batata de beterraba, bolachinhas fofinhas do urso Panda recheadas de morango (essas eu já conhecia quando morava em Foz do Iguaçu pois comprava muito no Paraguai), chips de camarão apimentado e chips de caranguejo.

No camelô da Bugis Street, encontrei também o chocolate KitKat na versão chá verde, já garanti uma caixa, óbvio!

Picolé de Durião… não é jaca apesar de ser muito parecida!
Picolé de feijão

De dentro do hotel Marina Bay Sands é possível chegar no jardim Gardens by the Bay, mas essa atração merece um post à parte.

Dica: Caso você tenha tempo, é bacana visitar o borboletário que fica dentro do aeroporto de Changi, que aliás é considerado um dos melhores aeroportos do mundo possuindo em seu currículo mais de 400 prêmios.

Se você estiver em trânsito por mais de 5 horas, Cingapura tem uma programação free! Em parceria com o Singapore Tourism Board, o aeroporto de Changi e a própria companhia aérea Singapore Airlines oferecem passeios guiados de 2 horas e meia. Para isso existem guichês dispersos ofertando este serviço (procure a equipe FST – Free Singapore Tours) mas você não poderá deixar a área de trânsito, portanto não poderá fazer imigração antes do passeio.

Existem 2 opções basicamente: O Heritage Tour e o City Lights Tour, este último iniciando-se mais ao final do dia pois o espetáculo de luzes fica mais bonito à noite!

Depois de conhecer este país com tantas qualidades, que até a década de 60 era pobre e agrário, me obriguei a comprar um livro para entender mais como funcionou a cabeça do Pai de Cingapura, que infelizmente veio a falecer em Março deste ano. Lee Kuan Yew, estudou em Cambridge, e criou um partido político com o qual anos mais tarde foi eleito primeiro ministro. Coordenou a separação de Cingapura da Malásia e permitiu que o país deixasse de ter aquela visão feudal, passando de um mero entreposto colonial pouco desenvolvido para uma das economias mais liberais, modernas e ricas de primeiro mundo.

Compartilho a obra que comprei (versão em inglês) e achei muito boa para quem quiser adentrar a mente deste que tornou Cingapura um modelo a ser seguido.

Título: BIG IDEAS of Lee Kuan Yew

Autores: Shashi Jayakumar & Rahul Sagar

Impressão: 2014 / Capa dura

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4 comentários Deixe um comentário

  1. Bugis Street.
    I was fortunate to enjoy a memorable afternoon and evening in that street in 1964, after several days sailing from MACAO the captain decided to stop over in Singapore to replenish supplies.
    I get off the boat along with others who were doing military service in the navy with me and they took me straight to Bugis Street. The place was filled with people from all over the world, full of street vendors with many shophouses and chifas serving food outdoors, you could taste the most varied dishes of Chinese Malay and Indian cuisine, among others, all incredibly spicy.
    At night Bugis Street acquired a cabaret atmosphere with the main entertainment, a show of super stylish and attractive transvestites as I never seen before; the show started at 22:00 hours and lasted until dawn.
    And to complete the evening one “Mama-san” (A female pimp who runs a brothel) appears offering amazing sex sessions with young virgins (??) for five dollars.
    I been told that Bugis Street disappeared, but I could always go back in my memories and recall that unforgettable night in Singapore.

    Curtido por 1 pessoa

    • What a memorable story full of details! Thanks for sharing your memories of Bugis Street Macnolo! You were very lucky to be able to live those special moments that time! Now Bugis Street became a shopping area and the only thing left is the street name.

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